Quando Heroes of Might and Magic encontra Bejeweled

O que acontece quando alguém resolve unir vários estilos populares em um jogo só, como RPG, TBS e puzzle? “Merda”, você pode dizer. Exatamente. Mas algo deu errado dessa vez, muito errado. Misturando o melhor de Heroes of Might and Magic, Civilization, Bejeweled e até um flerte com Pokémon, Puzzle Quest acabou saindo um jogo fantástico.

Puzzle Quest: Challenge of the Warlords (DS, PSP, Xbox 360)

Talvez você até já tenha lido sobre ele. É aquele jogo de DS e PSP, de juntar as pedrinhas com a mesma cor, mas que colocaram umas magias pra servir de enfeite. Exato, agora rasgue essa revista e leia meu depoimento.

No primeiro dia, fui sem muita fé. Tinha lido um review no Finalboss, se bem me lembro, e ele até me convenceu. Mas eu sou do contra. Eu queria testar Puzzle Quest só pra escrever aqui: “será que eles não aprendem que mesclar estilos bem diferentes não presta, ou essa produtora não jogou Puzzle de Harvest Moon?”

Começou com uma música épica no menu. “Ô, legal. Pena que eu vou clicar em single player, ver dois diálogos e começar a juntar pedras da mesma cor”. Por sorte eu estava muito errado. Para começar, o jogador escolhe uma das classes de personagem disponíveis, cada uma com magias próprias e um enfoque. O druida usa bastante cura, o guerreiro é pancadaria pura, esse tipo de coisa. Cada uma das classes tem quatro personagens, dois homens e duas mulheres, acho que só para fins estéticos. Peguei um mago com cara de pivete piromaníaco, porque queria brincar com fogo no dia.

E então começam os diálogos. “RÁ, EU SABIA”, bradei, e sem querer escorei a mão da tela de toque e pulei o tutorial de algum jeito. Ótimo. Lá estava meu boneco em um mapa no melhor estilo Civilization, sobre uma cidade. Dei um toque na cidade e então apareceu um pequeno menu sobre a cabeça do personagem. Eu podia conferir a estrutura da cidadela, ouvir boatos na taverna, checar o inventário, comprar tranqueiras ou pegar quests. Cliquei nas quests, ávido por refazer o tutorial. Mas nada de tutorial. A primeira missão me mandava ir até a cidade a leste daquela onde eu estava, para falar com meu pai. Fui para lá, mais diálogos, nada de pedrinhas, ele me deu um item e então, na próxima missão, o jogo começou de verdade.

E que jogo, devo dizer. Quando você encontra um monstro (as batalhas não são aleatórias, vale avisar), em vez do tradicional menu de ataque, começa uma partida de Bejeweled. Para quem não conhece, é aquele jogo onde você precisa trocar jóias de lugar uma com a outra, de forma a criar fileiras de três ou mais peças da mesma cor. Há uma versão disso disponível no MSN. Mas, falando desse jeito, parece que você e o Orc sentam-se em uma mesa, colocam um tabuleiro e quem fizer mais pontos primeiro ganha. Ao menos era a impressão que eu tinha, sabe-se lá por quê.

Não é nada disso. Ao começar uma batalha, o protagonista e o adversário têm uma certa quantia de pontos de vida cada, e uma lista de magias disponíveis, que podem só fazer dano no adversário ou então modificar algum status na batalha. Monstros mais simples têm uma ou outra magia quase inofensiva, enquanto os mais complexos gostam de carcar com Enrage enquanto usam Regenerate para se recuperar dos seus ataques. Essas magias gastam mana, dividida em Terra, Fogo, Ar e Água. O genial da coisa é que as “jóias” no tabuleiro são as manas, e a cada vez que o jogador faz uma seqüência de três peças iguais ele ganha uma certa quantia de mana daquela cor. Além disso, há as peças de Ouro, de Experiência e de Caveira. As de Ouro e Experiência adicionam os respectivos ganhos aos seus espólios pós-batalha, enquanto as de Caveira servem para atacar o adversário.

É, atacar no mano-a-mano, porque nem só de magia e pão vive o homem. Um druida, por exemplo, pode ter uma lista de magias de suporte, enquanto o ataque é predominantemente juntando caveiras no tabuleiro. O interessante do sistema é que a batalha é por turnos, então é muito mais do que identificar peças dando sopa e fazer trilhas de três. Primeiro você analisa suas magias, a quantidade de mana de cada cor no tabuleiro, e elabora uma estratégia. Tem bastante caveira espalhada por aí? Opa, então o ideal é eliminá-las antes que o adversário o faça. Em um turno o jogador pode lançar uma magia ou mexer com mana. Algumas magias não terminam o turno, enquanto combinações de quatro ou mais peças dão direito a mais uma jogada. Sendo assim, a cada jogada o ideal é analisar tudo, estabelecer as prioridades (mandar uma fireball agora ou pegar as manas azuis, inúteis pra mim, antes que o inimigo as pegue e use elas para dar Regenerate?) e então jogar.

Mais inteligente, mais complexo e mais estratégico que batalha por menus à Final Fantasy. E mais divertido, diga-se de passagem.

Mas não acabou. Isso foram meus primeiros cinco minutos de Puzzle Quest. Após perder feio para o Thief em minha primeira batalha e ficar esperto para a próxima, percebi que o jogo é muito melhor do que um Bejeweled afrescalhado. Voltando para a cidade inicial no mapa, comecei a explorar as outras opções.

Na taverna, você paga para ouvir boatos e informações, pertinentes ou não, para o decorrer da história. Só lê o que acha que pode ser interessante. Em Get Quests, há uma lista de tarefas disponíveis, obrigatórias ou não, que o jogador pode cumprir em qualquer ordem. Na loja, itens e mais itens, com alterações de status e sacanagens úteis para o jogo, desde “dá 3 manas amarelas a cada vez que fizer 3 ou mais pontos de dano” até “dá 1 ouro para cada mana azul que conseguir”. Dependendo do estilo do personagem e do jogador, certos equipamentos podem ser bem úteis e outros podem ser dispensáveis.

Mas foi em Citadel que meus olhos brilharam. “Ahn? Isso aqui é Bejeweled ou Heroes of Might and Magic?”, foi o pensamento momentâneo que rendeu esse título. Uma visão panorâmica da cidade é mostrada, juntamente com um menu para a construção de diversas estruturas, cada uma com seu respectivo custo em Ouro. Foi aí que eu percebi de vez que aquilo era muito mais RPG/TBS do que puzzle: é possível construir a Mage Tower, onde se aprende magias dos inimigos capturados, a Dungeon, que permite que o jogador possa usar um monstro como montaria após derrotar três espécimes, o Stable, onde se treina a montaria (tô cavalgando um Ratão Nível 4, coisa mais linda), a Foundry, onde se cria itens a partir de runas encontradas mundo afora, o Siege Workshop, que permite que o jogador cerque outras cidades e as pegue para si, entre outros que eu ainda não testei.

Ou seja, é coisa pra caramba. Mas, como o Gui vem acompanhando há três dias, eu sempre descubro coisas novas sobre Puzzle Quest.

Por exemplo, sabe a Mage Tower? Não é simples como eu tinha descrito acima. Ao encontrar um adversário, após tê-la construído, você escolhe se quer lutar com ele ou tentar capturá-lo. A luta é uma batalha normal como já descrevi, enquanto a captura é um puzzle pré-construído para fritar um ou dois miolos do jogador. É apresentado um tabuleiro, com um certo número de peças, e o objetivo é acabar com todas. Simples assim, na teoria, mas depois da terceira ou quarta tentativa qualquer um percebe que é bom pensar bastante antes, pra detonar tudo em um daqueles combos matadores que ninguém nunca consegue quando tá jogando pra valer.

Ótimo, capturado. O personagem volta para a cidade, verifica sua Mage Tower e escolhe aprender, digamos, Wake the Dead, uma magia do Esqueleto, que transforma algumas Caveiras do tabuleiro em Caveiras +5. Como faz pra aprender? Mais um desafio, dessa vez com um tabuleiro comum, peças aleatórias mas uma meta para atingir com as manas de cada cor, além de algumas Scrolls, peças especiais que você só consegue juntando quatro ou mais jóias iguais.

Para treinar montaria, também é diferente: o jogador deve derrotar um inimigo de certo nível com alguma limitação de tempo. Para evoluir meu Ratão para o Nível 4, por exemplo, tive que vencer um Ratão Nível 4 com limite de 12 segundos por turno. E olha que ainda não testei Siege, Forge, o sistema de companheiros, entre outras coisas!

Com uma história envolvente, entremeada pela jogabilidade livre, Puzzle Quest com certeza vale a compra. Não sei quanto ao PSP ou à nova versão para Xbox 360, já que a tela de toque do DS é um elemento bem importante para as batalhas, mas provavelmente o jogo também é bom nas outras plataformas. Afinal, ele não é um puzzle com elementos de RPG, como eu tinha ouvido falar. É muito mais um bom RPG com lutas-puzzle no lugar dos enfadonhos menus tradicionais.

Mas por que Primeiro Contato, e não Resenha? Simples, porque isso não parece ser nem metade de Puzzle Quest. O que eu mostrei aqui foi o que consegui resumir de duas ou três horas jogando apenas a aventura principal. Além de todas as surpresas que ainda me esperam no Story, há os modos Choose Opponent, Multiplayer, Instant Action… É o game perfeito tanto para distrair e acompanhar uma boa aventura, quanto para partidas rápidas no toalete. Até dava pra fazer um slogan: “Com Puzzle Quest, cada ida ao banheiro é um monstro que cai”.

28 respostas para Quando Heroes of Might and Magic encontra Bejeweled

  1. feroz disse:

    soa como um texto de alguém empolgado com um jogo novo

    bocejei

    ;*

  2. Lipedal disse:

    Mas é um texto de alguém epolgado com um jogo novo😦

    A gente admite isso desde o primeiro Primeiro Contato que publicamos. São textos desesperados de alguém que amou um jogo à primeira vista e não está de forma alguma tentando ser imparcial😛

  3. Nightshadew disse:

    Com Puzzle Quest, cada ida ao banheiro é um monstro que cai.

    ASLDASJLDKASJ horrível. Quanto ao jogo, soa excelente para fãns de Bejeweled e chato para o resto do mundo. Mas gostei do texto, melhor de ler que a resenha de PoP😀

  4. […] Quando Heroes of Might and Magic encontra Bejeweled « No Controle Aquele jogo de DS e PSP, de juntar as pedrinhas com a mesma cor, mas que colocaram umas magias pra servir de enfeite. Exato, agora rasgue essa revista e leia meu depoimento. (tags: nocontrole.wordpress.com 2007 mes10 dia29 at_tecp Puzzle_Quest review puzzle bejeweled rts blog_post) […]

  5. Nightshadew disse:

    Gui abandonou o blog?

  6. Gui Stadler disse:

    Não, senhor.

    Vestibular. =|

  7. Argus disse:

    Orra, que legal. Me dá um DS que eu jogo.

  8. Cephiro disse:

    POis é, Lipeidoso, o jogo parece beeem legal à primeira vista. Tu vai logo perceber o motivo pelo qual ele receb reviews negativas: ele é muito repetitivo e enjoa bem rápido. Eu mesmo tô me arrastando há alguns meses pra terminar esse jogo.

    Mas como você disse, pra uma ida ao banheiro é perfeito. Basta não se empolgar muito.

  9. Gui Stadler disse:

    Lipedal não é padrão quando o assunto é “enjoativo”. Garanto.

  10. Lipedal disse:

    “Quanto ao jogo, soa excelente para fãns de Bejeweled e chato para o resto do mundo.”

    Droga, era bem o que eu queria evitar que vocês entendessem. O jogo não é isso. Juro que não.

    Talvez só um pouquinho.

    Quanto a ser enjoativo, ainda não cheguei nesse ponto do jogo. Sempre tô descobrindo coisas novas e o diabo a quatro, seria legal que continuasse assim OU que a main quest acabasse meio rápido, pra não dar tempo de enjoar😦

    Por fim, Gui, o que você quis dizer com isso?

  11. Rafael Lemos disse:

    Joguei um pouco de Puzzle Quest, mas eu não gosto dessas coisas, e não tava com paciência pra jogar RPGs [Tanto que não tenho jogado poquemaos, tô no terceiro ginásio]
    Mas juro que outra hora dou uma chance a este puzzle bejeweled aí (Como que fala essa merda? Bêgêuelede?)
    Nome bonito.

  12. Argus disse:

    Bijiueléd é como eu falo |:

  13. Cephiro disse:

    Lipe, não fique muito esperançoso. A main quest não acaba NUNCA. Eu tô nessa bosta há alguns meses. Depois de um tempo, as quests vão exigir que você viaje até a PQP e volte, e isso só pra cumprir metade da quest. E cada viagem você tem que matar pelo menos 10 adversários….. e cada luta dura bem uns 10 minutos… vai somando.

    Vai jogar algo mais sério e só use esse jogo como diversão privadística. =/

  14. Lipedal disse:

    Rafa, eu falo como o Argus, Bijiueléd. Se não é isso deve ser quase. Quanto à falta de paciência, acho que nessas primeiras semanas de DS voltou toda a vontade de jogar RPG que eu tinha perdido lá pelo primeiro ano do EM. Só que dessa vez não tava afim de Final Fantasy III, Etrian Odyssey ou essas coisas. Eu queria um RPG mais “leve”, e entre Pokémon, Lost Magic e Puzzle Quest, acabei ficando com o último😀

    Cephiro, joguei mais algumas horas hoje e ainda não ficou chato. Pode ser porque eu quase não tô fazendo a main quest, tô só buscando runas, capturando montarias, etc. Pena que fique ruim depois, porque a idéia do jogo é muito boa😦

  15. Cesar Martins disse:

    Você me deixou com vontade de jogá-lo, apesar de não ser lá muito fã de puzzles do tipo de Bejeweled.
    Se eu conseguir um tempo (e grana) talvez eu dê uma olhada (sabe como é, tenho algumas prioridades que precisam ser atendidas urgentemente).🙂

  16. Argus disse:

    Lipe, tu usa aquele cartão M3 ou similares?

  17. Lipedal disse:

    Sim, uso o R4 Revolution. Ou isso ou eu só teria jogado Pokémon, Zelda ou similares até agora, não taria com Puzzle Quest ou Picross😛

    Como eu disse na primeira resenha do No Controle, vocês devem ler nossas avaliações com um certo ceticismo. Geralmente quando eu falo “vale a compra”, quero dizer “vale a compra, caso você já tenha jogado os melhores games do console e esteja pensando onde investir seus próximos 100~150 reais”😉

    Fora os Prince of Persia. Todos da série valem a compra.

  18. TigerTjäder disse:

    Até Prince of Persia 3D?
    Gui é emo.

  19. Argus disse:

    Tá, ok, Pedal. Depois de fevereiro vou começar a juntar dinheiiro pra comprar DS Lite + R4 (se a nintendo não proibir) + Cartão mini SD.

    Te vejo no multiplayer burocrático do Metroid Prime Hunters, se tu jogar D:

  20. Sardo disse:

    Muito bom.
    Jogarei assim que possível. E farei uma análise.
    Será que bate?

    Hahaha!

    Abraço!

  21. Lipedal disse:

    Tjäder, substitua por “Fora os Prince of Persia. Todos da trilogia Sands of Time valem a compra.”

    Até Warrior Within, já que ele tá custando uns 30 reais naquela série Classics, EA Classics, Ubisoft Classics ou algo assim.

    Argus, não acho que a Nintendo vá ser idiota a ponto de “proibir”. Primeiro que proibir é algo bem complicado. Jogo pirata é proibido, mas (quase) todo mundo tem. Já se a proibição for técnica, tipo banimento da Live, ou então novos modelos que não aceitam flashcard, sempre tem um bando de hacker desocupado pra contornar o problema.

    Aliás, tão sabendo do DS Vision, o flashcard oficial da Nintendo ou algo assim? Pois é, parece que com esses acessórios fazendo tanto sucesso por aí, eles tomaram uma medida menos retardada e vão fazer dinheiro com isso. Começa com vídeos, trailers, logo logo tem demo pra baixar pro DS, tudo oficial. Pensem duas vezes quando forem repudiar pirataria de novo😛

    Sardo, jogue assim que possível e faça uma análise!😀

  22. TigerTjäder disse:

    A Nintendo não pode proibir o R4. Pode tomar medidas que tentem nos impedir de usá-lo pra jogar jogos piratas como as que o Lipedal falou. Quanto ao DSVision, a questão é se os hackers vão conseguir bootar homebrew/pirata usando ele. E os dois primeiros Prince of Persia valem a compra também.

  23. Argus disse:

    Hum.

    Acho que só vou ter dinheiro pra comprar meu Kit DS Piratão em julho do ano que vem… até lá, algo deve rolar. Veremos.

  24. […] vem o Lucas e me leva o jogo! ;~ * Puzzle Quest (DS) – me deu curiosidade de jogar, só por causa deste review, muito legal feito pelo blogueiro Lipedal. * Resident Evil (Wii) – comecei e foi outro que o […]

  25. Marv BR360 disse:

    achei bem legal o jogo , joguei o trial pela live arcade , to pensando eu comprar….. pelo preço que oferecem ate vale!

  26. […] pra terminar, eu queria fazer um review do Puzzle Quest. Mas não consegui pensar nada diferente deste review feito no No Controle. Só resta comentar que o jogo é absolutamente isso. Tirando a parte de […]

  27. daniel disse:

    por favor, me manda manhas ou macetes de principe da persia para nintendo!!!!!por favor, eu suplico!!!!!!!!! 🙂

  28. arthr disse:

    o de sima não era daniel, era eu!!!!!!!!!!!! 😦 foi sem querer

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