Star Wars é bom, LEGO é melhor, LEGO Star Wars é demais!

30 agosto 2007

Não sei se vocês sabiam, mas com o sucesso da franquia nos videogames, está pra ser lançado LEGO Star Wars: The Complete Saga em novembro desse ano, pra Xbox 360, PS3, Wii e DS. Além do remake com gráficos da nova geração e modo cooperativo online, ainda li que LEGO Batman, LEGO Indiana Jones e LEGO Universe estão planejados para 2008. Isso, LEGO Universe. Alguém ouviu “desbancar World of Warcraft”?

Considerando que o interesse de vocês pelo Star Wars de bloquinhos pode ser renovado com o remake vindouro, e aproveitando que tô viciadão no segundo jogo da série, vou resenhar aqui o primeiro. Mas perdão, LEGO Group, pelo bem da escrita vou escrever Lego mesmo, sem maiúsculas.

LEGO Star Wars: The Video Game
Plataformas: GC, PS2, Xbox, PC, Mac e GBA
Data de lançamento: 05/04/2005
Produtora: Eidos Interactive, LucasArts
Desenvolvedora: Traveller’s Tales

Se tem algum brinquedo “de verdade” que sempre fica bom quando vira jogo, esse brinquedo é Lego. Não que eu lembre de muitos outros brinquedos que viraram jogo, mas pra dar um exemplo, nunca vi uma versão virtual de Banco Imobiliário que prestasse. Lego Racers é bom, Lego Racers 2 é bom, Brickland (multiplayer não-oficial de Lego) é ótimo, e assim deve ser com os outros. Mas porra, Lego Star Wars é demais. Juntando os três episódios mais novos da famosa série com os blocos amados por toda criança de classe média, o primeiro jogo mostrou ao mundo como deveriam ser feitas todas as adaptações de cinema pra videogame.

Esqueça Roque Squadron III e sua movimentação a pé tosca. Esqueça aquele The Phantom Menace feião. Esqueça o jogo oficial do terceiro filme. Descontando aqueles spin-offs legais (como Star Wars Racers e Knights of the Old Republic), jogo bom é Lego Star Wars.

“Mas com esses bonecos amarelos?”, é o que vem à mente do gamer tarado por Star Wars. Sim, com esses bonecos amarelos. Que andam, pulam, lutam e se comunicam mais convincentemente do que suas contrapartes quase-hollywoodianas. E nem são mais amarelos. Os personagens são modelados seguindo o padrão da linha Lego Star Wars “de verdade”, assim como as naves e acessórios. Enquanto o cenário em si é normal, todos ou quase todos os objetos são feitos de blocos Lego, e a maioria é destrutível, desde os arbustos de Naboo até as cadeiras do Senado de Coruscant.

O divertido é que o roteiro dos filmes é seguido à risca, mas sob outra perspectiva. Nada de rever a mesma cena do Anakin perdendo as pernas mas com carinhas em CG. Cada cutscene adiciona um pouco de humor às situações, geralmente pela dificuldade da comunicação (Lego não fala), mas tudo na medida certa. Fora o Jar Jar Binks. Esse continua chato.

O primeiro Lego Star Wars pode ser resumido em três palavras: replay, multiplayer e ahmeudeus. Multiplayer porque toda fase é jogada por dois ou mais personagens, de preferência com mais um amigo no modo cooperativo. Se no filme não era assim, você nem vai perceber. Tudo encaixa direitinho, nenhum personagem parece ser inventado de última hora pra preencher espaço. Os puzzles seguem a mesma linha, com os dois jogadores se ajudando sempre.

O que pode ser uma bosta no single player. Quanto aos puzzles predeterminados tudo legal, mas quando a coisa exige um pouco de cooperação não-artificial fode. Não joguei o suficiente pra poder afirmar isso com convicção, mas quando tive que gastar um bom tempo tentando erguer uma porcaria de pedra com a Força, só porque os inimigos tavam atirando em mim e meu parceiro controlado pelo computador não dava cobertura, desisti. Liguei pro vizinho e pronto, cooperativo legal assim nem em Streets of Rage.

Mas além do jogo a dois, o que faz Lego Star Wars ser tão bom é seu fator replay incrível. Todos os personagens principais, secundários e até uns figurantes estão disponíveis, somando 56 bonecos baseados nos Legos normais. Desde Qui-Gon Jinn e Darth Maul até Yoda, passando pelo pequeno Boba Fett e os Droidekas boladões, há uma porrada de carinhas destraváveis. Destraváveis porque primeiro você precisa passar das fases onde eles aparecem pela primeira vez, e depois, caso não seja um personagem protagonista como Anakin ou Obi-Wan, comprá-los com o dinheiro coletado nas fases.

Coletado quebrando tudo. Vandalizando. Arrisco dizer que o vandalismo é melhor que em Hello Kitty Roller Rescue.

Mas nem só de criaturas de cabeça amarela vive Lego Star Wars. Há também as naves. Em cada fase é possível montar um veículo do universo da franquia, bastando apenas encontrar seus 10 pedaços espalhados pelo cenário, os canisters, cuja tradução eu não encontrei no dicionário. Além disso, atinja um certo número de moedas em um nível para ganhar peças de uma nave maior, provavelmente a última coisa que você vai destravar no jogo. Todas essas belezuras ficam no pátio do Dexter’s Dinner, que é a área onde você fica brincando de testar os bonecos, matando seu parceiro e coletando uma graninha extra, enquanto não entra na porta da próxima fase. Só que não dá pra dirigir. E olha que eu tentei. Bastante.

Mas o maior trunfo do replay é que não é simplesmente sair rushando no modo Story e catar todo o dinheiro possível mais as 10 canisters de primeira. Quando você passa de uma fase abre o modo Free Play dela, onde você pode escolher os personagens que vai controlar e trocar de boneco no meio da fase a seu bel prazer. O que é especialmente útil, já que a maioria dos puzzles-de-peça-de-nave é inacessível aos bonecos que jogam o Story. Dando um exemplo pra não ficar tão vago: você viu um canister num lugar bem alto, mas nem o Obi-Wan nem o Qui-Gon alcançam a plataforma. Jogue mais umas fases até liberar o Jar Jar Binks ou o General Grievous, volte pra essa no modo Free Play e então use o pulo sobre-humano do maluco pra pegar a peça. Cada personagem se adequa a um grupo de habilidades (jedi, sith, pulador, atirador, droid…), simples assim.

Claro que se você for acabar só a história de uma vez, o jogo é bem curto. O forte são os destraváveis: personagens, naves, extras (como o bigodão de Groucho Marx e o detector de canisters). Mesmo assim, o enredo garante ótimos chefões, com batalhas desenvolvidas de modo a fazer adversários detonáveis “a dois” (e aí, já tá imaginando como fica a luta final contra Anakin?) e com fases bem planejadas nos chefes e fora deles. Há também três estágios de controle de veículos, todos bem lineares mas de qualquer forma divertidos, tudo muito bem feito e permeado pela ótima música do universo Star Wars.

A avaliação final é: Must Play, pra aprender como se faz um bom jogo baseado em filme e acabar de vez com algum preconceito subconsciente que você possa ter quanto a bonecos amarelos engraçadinhos. Seja na geração passada ou no remake vindouro, jogue com um amigo. De preferência com controles, porque teclado dividido não presta.


Volta às férias

26 agosto 2007

Pois é, enfim férias. Atrasadas, como sempre. Mas acho que dessa vez não volto pra aula, vou largar Computação de vez antes que enlouqueça. Ótimo porque vou ficar uns bons meses consultando meu Guia das Férias Prolongadas, que fiz no começo do ano passado, além de zerar tudo o que eu quero e não tenho tempo. Horrível porque isso não é o que meus pais esperam de um marmanjo que vai ficar 4 meses em casa, então provavelmente vou ter que dar estudadas esporádicas pro vestibular.

Amanhã já começo com Geist, FPS pra Gamecube onde você controla um espírito ou qualquer coisa assim, e tem que se apossar dos malucos num campo de batalha, ou qualquer coisa assim. Isso aí, Lipedal, esse corpo te pertence. Depois já faço um Primeiro Contato aqui. No mais, a lista a curto prazo, que obviamente eu não vou conseguir completar, é a seguinte:

Final Fantasy III (ou VI, como queiram, ninguém manda ficar contratando tradutor de segunda mão)
Super Mario RPG
The Legend of Zelda: Twilight Princess
Bioshock, que eu vou ganhar amanhã.

Só pra não ficar um post diarinho padrão, vou lançar aqui uma discussão. Esses dias TigerTjäder perguntou pra gurizada durante uma aula qual era a série de jogos preferida de cada um atualmente. Isso não acontece com muita freqüência lá, uma das minhas decepções quanto ao curso. Achei que todo mundo fosse ser tarado por games e falar disso abertamente, mas não. Acho que no fim foi a conversa mais produtiva que tivemos nesses três semestres de faculdade…

Mas então, hesitei entre The Legend of Zelda e os novos Prince of Persia, e no fim decidi pelas aventuras do Príncipe. Zelda é bom e o diabo, mas a trilogia Sands of Time me marcou mais.

E você? Qual é sua série preferida atualmente?


Segunda chance

22 agosto 2007

Guei Gui, Jesus nos ama. Explico.

Dia desses o Fabio Bracht e o Lucas Patrício resenharam BioShock, cada um a seu modo mas ambos magistralmente. Tanto que, ao acabar de ler ambas as resenhas, ver as fotos e limpar a baba, tudo que eu queria era ter um Xbox 360. E Bioshock. E um Moça Fiesta.

Logo o Gui apareceu no MSN me pedindo de presente de aniversário um consolo console desses com BioShock. Mas nada. Minha última chance de ter um 360 dentro dos próximos 5 anos se esvaiu com aquela promoção do Engadget onde eles sorteavam um.

Eu não gosto muito de fazer post só com link pra alguma coisa interessante, mas essa é uma ocasião especial. Tô na universidade, entre uma apresentação mal sucedida de um trabalho e o que eu espero que seja uma apresesentação bem sucedida do mesmo trabalho, sexta-feira tem exame com um professor maníaco e depois vou ter míseras duas semanas de férias. Nessas semanas pretendo postar decentemente no NC, provavelmente sai até resenha de The Two Thrones. Mas, enquanto isso, fico aqui enchendo lingüiça e avisando vocês que o Engadget tá sorteando mais um Xbox 360, e dessa vez com Bioshock!

Diliça, hein. Dessa vez é só comentar dizendo qual é seu jogo preferido atualmente, não preciso nem postar frases aleatórias em inglês pra ajudar o pessoal.

Já tem alguns milhares de pessoas participando, mas não custa tentar. Domingo passado ganhei um robozinho divertido num sorteio do FHBD, vou dar mais uma chance à sorte \o/


Análise – Odin Sphere

16 agosto 2007

Provavelmente você nunca ouviu falar desse game, “Odin Sphere”, correto? Pois é, o game não é um jogo de nome, como Final Fantasy, nem uma franquia nova de alguma renomada empresa, como a SquareEnix, então não é de se surpreender que o game tenha ficado na surdina. Fato triste, pois Odin Sphere é mais um dos geniais RPGs lançados para PlayStation 2.

Porém, Odin Sphere não é nada normal, pelo contrário, é BEM peculiar, e são essas características própria que fazem o jogo ser bom. Começando pelos gráficos: o jogo é inteiro em 2D. Esse é o primeiro “divisor de fãs” de Odin Sphere (OS), de um lado gamers saudosistas do tempo de Aero the Acro-Bat, que adoram gráficos em segunda dimensão e ficaram entusiasmados com o jogo, justamente por esse detalhe; e do outro, gamers mais carrancudos que não são tão abertos à experiências gráficas “novas”, ainda mais com jogos como Final Fantasy XII para o mesmo console. Mas não dá pra negar que o game é LINDO! As personagens, as movimentações, os detalhes, os inimigos, TUDO. Mas principalmente o cenário, parece um quadro. Tá certo que quando a tela lotar-se de monstros e inimigos, a última coisa na qual o jogador vai reparar será o cenário, mas pode ter certeza que você vai, uma hora ou outra, parar o game e olhar o cenário. As screenshots postadas talvez mostrem um pouco da magnitude gráfica, mas nada como ver ao vivo. Quem já viu as cavernas de “Lava Land” e as floresta de Elrit que o digam.

Infelizmente, devido aos gráficos excelentes, o game sofre. Não são raras as quedas de Frame-rate e, consequentemente, os slowdowns. É só aparecer mais de cinco inimigos na tela que o game já começa com as travadas.

Outro ponto que com certeza leva destaque é a história. Baseada em mitologia nórdica, a história é dividida entre cinco personagens jogáveis, e cada história de cada personagem é parte da história da vida de outros, ou seja, os atos com uma personagem podem influenciar a outra, e uma pessoa inimiga em uma “fase”, pode ser o herói da outra. Talvez essa parte do texto tenha dado uma idéia de não-linearidade…pelo contrário, o game é absurdamente linear – o que torna ele até enjoativo -, então influencia de maneira já programada. Infelizmente pra alguns, pra mim felizmente, pois poucos jogos tem uma não-linearidade bem feita.

Justamente por ser baseada em mitologia nórdica, a história melhora com alguns conhecimentos, mas não tá certo dizer que exige saber tudo sobre Odin e suas peripécias e pequenices, pelo contrário, eu sou um burrão em mitologia e deu pra entender certinho. O contexto é basicamente guerras entre reinos e intrigas entre personagens, clichê, não nego, mas nos dias de hoje a pessoa tem que ser muito original pra criar algo novo. Esse “clichê” aqui é executado com maestria, pois o enredo com certeza poderia ser convertido em um livro, sério mesmo. Não é à toa que, no começo do jogo, você irá controlar uma menininha inofensiva que pega um livro, senta na poltrona e começa a ler. Isso mesmo, o que você estará jogando é o livro que a menininha tá lendo. Ou seja, Lipe, só lamento. Não vai poder jogar na casa daquele teu AMIGÃO lá. 🙂

E a jogabilidade? Bom, já que o game é completamente em 2D, utilizam-se as direcionais para controlar o movimento e os botões da direita pra ações. Um deles ataca, outro pula, outro abre a janela de itens e outro é usado para abrir a janela de golpes especiais. Simples, mas funcional. Quanto aos L e R da vida, aqui tem funções bem secundárias, a mais importante acho que é o R1, que serve pra absorver uns itens, os Phozon, que serão explicados mais pra baixo. É o único usado na batalha, os outros são funções como abrir o mapa e abrir a janela de itens no modo de organização, aquele negócio que tu transforma a zona que é o seu inventário num amontoado de mochilas organizadas de maneira tão linda que deixaria tua mãe orgulhosa.

Mas o game é classificado como um RPG, então normal imaginar que temos níveis. Acontece que em Odin Sphere nada é nos moldes de Dragon Quest, ou seja, batalhas por turnos, níveis, etc. Nem por distribuição de pontos, como Final Fantasy X, aqui é o seguinte: Todas as personagens tem algo em comum: as suas armas. Essas armas, chamadas “Psypher”, são armas feitas de jóias que têm o poder de absorver almas de inimigos mortos, os Phozon. Quanto mais Phozon você absorve, mais forte ficará sua arma. Mas não é só o nível da arma, o HP também pode ser treinado, através das – um destaque do jogo, ó – frutas e alimentos :). Aqui não acontece o de sempre, de ir comprar em shop ou de dropar de monstros o que você come, aqui você planta sementes no chão e essas, absorvendo os mesmos phozons que as armas, crescem quase que instantaneamente, criando frutas para que o personagem coma. Quanto mais frutas você come, mais o nível de HP sobe. Claro, as frutas também tem o objetivo de recuperar o HP.

Aproveitando a deixa das frutas, vou falar de mais um extra do jogo, a alquimia. Através de itens como sementes, frutas, restos mortais de monstros e itens, pode-se criar frascos de vários produtos, desde “Healing Potins”, que aumentam a vida, até “Napalms”, frascos usados para o ataque. Diferente de muitos games onde existem extras que são pouco utilizados, até fúteis, em Odin Sphere a alquimia é necessária, seja ela exigida pela fase, seja ela necessária para matar um boss, enfim, você entenderá melhor se jogar :). Por fim no quesito jogabilidade, as fases. Assim como nos games antigos, aqui o esquema é por fase. Normalmente você tem 6 capítulos por livro, cada capítulo com vários atos, sendo um desses atos a parte de pancadaria (ou seja, a maior parte do livro), que ocorre em algum dos cenários do World Map. Dentro desse cenário, você terá um mapa gigante com várias áreas, cada área é circular, e o objetivo é derrotar todos os inimigos. Dentro desses círculos, temos as fases normais, os Mini-bosses, as lojas e o chefão da fase, um B com fundo roxo. Dá pra salvar a hora que quiser 🙂
Bom, basicamente é isso, pode ser simples (ao contrário do que o texto aparenta ser, por que porra…olha o tamanho disso :/), mas é altamente funcional e divertido!

O som não é lá grandes coisas, talvez eu diga isso por simplesmente esquecer do som na maioria das vezes, mas com certeza uma coisa que merece destaque é a dublagem. Também na versão em inglês, mas principalmente na versão em japonês, parece que as personagens tem voz própria. Além de escolhas de vozes que SÃO a personangem, a entonação, essas coisas, tudo perfeito. Falando desse jeito até parece que sou pro em dublagem, mas ela é boa o suficiente para até um noob notar que é muito acima da média. As músicas quase sempre as mesmas, depende do cenário, e os efeitos de ataque também.

Mas enfim…nem só de coisas boas é feito um jogo, OS tem seus defeitos, e o principal dele é a repetição. Pelo fato de ser um jogo onde as personagens são interligadas, acontece de TODAS elas visitarem o mesmo cenário que outro pelo menos uma vez, ou seja, logo na primeira personagem você já irá conhecer a maioria dos cenários. Acontece isso também com as músicas, já que são por cenário, e com os monstros, sempre característicos de cada fase. Resumidamente falando, enjôa. Não é difícil você enjoar do game por ter a constante sensação de não ter avançado, já que SEMPRE faz a mesma coisa. Aliás, é só comigo isso ou sempre que o jogo é enjoativo acontece de vocês acharem que NÃO RENDE? Enfim, voltando ao post…enjôa sim, mas numa medida moderada, não é como Shining Force Neo da vida, onde o objetivo do jogo é apertar bolinha freneticamente até formar um calo, e quem tiver o calo maior que o amiguinho mostra que é mais fodão, não, Odin Sphere sabe mascarar a repetitividade (tentei três vezes escrever “repetitividade” :o), justamente com essa troca de personanges, que acontece de quatro em quatro horas, isso na média.

Finalizando…depois dessa MONSTRA resenha (você que leu até o final, é um cara de coragem, parabéns), posso dizer sem medo que Odin Sphere vale a alugada. Como esse blog é meu e do Lipe, não da Futuro ou da Europa, vou tocar um foda-se e dizer sem medo: Must play com certeza, o game é revolucionário, não como Katamari Damacy, mas pra uma época onde gamers do mundo inteiro gozam nas cuequinhas ao verem trailers fake de Killzone 2, um game em 2D como esse dificilmente se daria bem, felizmente não é o caso com Odin Sphere. Recomendadíssimo!

Mas naquelas, gosto é algo extremamente pessoal… 😀

Abração, pessoal! Desculpem o tamanho do post, mas simplesmente não deu pra fazer menor, hehe.

Fiquem abaixo com um vídeozinho do jogo! 😉


Bora projetar jogos

12 agosto 2007

Já devo ter falado que meu sonho profissional era me tornar desenvolvedor de jogos, mas achava que não ia ter mercado de trabalho se fosse fazer faculdade disso. Aí resolvi pegar a tangente e comecei Ciência da Computação. Agora, três semestres depois, percebi que não gosto nem um pouco daquelas matérias chatas e professores ruins, salvo exceções. Nesse processo de largar a faculdade, voltou a vontade de fazer um curso voltado especificamente para jogos. Mas isso só existe em faculdade longe daqui e particular, o que aumenta consideravelmente os gastos.

Eis que surge do além um grupo que pretende dar cursos online sobre desenvolvimento de games, com grupos de discussão e debates. Eu já tinha tentado umas coisas dessas antes, mas eram todos no estilo “Aprenda a fazer jogos 3D em uma semana com Fortran” ou semelhante. Mesma coisa com livros que eu comprei, onde a parte introdutória ensinava C e depois já pulava pra OpenGL/DirectX e você saía fazendo jogos porcos. Como a faculdade bem me ensinou, o que eu menos quero é mexer com código. Me deixa pensar num jogo, brincar com o projeto, escrever um roteiro, elaborar a jogabilidade, e depois a gente põe a mão na massa.

E, até onde eu entendi, essa é a proposta do primeiro curso do Instituto dos Jogos: Introdução ao Game Design. Nada de ficar aprendendo conceitos de classes, ponteiros, APIs. É um “papo gamer” profissional, com aulas sobre o que leva alguém a jogar um jogo (história, jogabilidade, inovação?), o que faz ele ser viciante (pontuação, competição?), a importância da música nos jogos, o uso de diversão bônus como minigames, por aí vai. Vai ter até discussões sobre linearidade ou não-linearidade e bate-papo sobre a guerra de consoles atual. Tudo que eu queria de um curso de desenvolvimento de games. Não essas porras de apostila de Pac-Man em C++.

Os objetivos gerais, de acordo com o site, são esses:

– Definir instituições e profissionais envolvidos no desenvolvimento, marketing, distribuição e venda de jogos;
– Conceituar jogo e apresentar a “teoria da diversão” e as componentes do jogo;
– Apresentar as principais plataformas e finalidades que um jogo pode ter;
– Ministrar conhecimentos da área de Game Design e áreas afins;
– Incentivar debates e atividades que permitam ao aprendiz desenvolver o pensamento crítico e ter contato com assuntos muito discutidos atualmente;
– Oferecer ao aprendiz a oportunidade de desenvolver a fase de concepção de projeto de um jogo;
– Analisar jogos já publicados buscando reconhecer quais princípios de game design foram seguidos;

Bom, o curso tem dois meses (duas aulas por semana) e custa R$30,00. É claro que um bom tempo brincando na Wikipedia te dá o mesmo conhecimento de graça, mas pessoalmente prefiro seguir uma ementa bem feita com professor da área e coleguinhas de classe pra discutir, atividades e essas coisas. Pra quem se interessou, o roteiro do curso tá aqui e a página principal do Instituto de Jogos aqui. Lembrando que é o primeiro curso que os caras dão, e se esse der certo provavelmente depois vai ter algum sobre as ferramentas de criação/linguagens propriamente ditas.

Se alguém se interessar, é só mandar um e-mail pra christianolimasantos@yahoo.com.br e pedir pra se inscrever. Amanhã já tô dentro, aí vejo vocês por lá 🙂


20 360 de 300

7 agosto 2007

Eu não achei 300 tudo aquilo. Nem vi o filme ainda. Nunca me interessei por Frank Miller, prefiro Alan Moore ou Milo Manara. Não gosto esteticamente do Xbox 360 Elite, sou mais o branco. Com essa rabiscaiada do lado então, menos ainda. Além disso eu nem sou muito fã dos jogos lançados até agora para a plataforma. Mas, como diz o ditado, “de graça até Superman 64 na testa”.

O Engadget tá dando uma versão do 360 com arte de 300 e assinatura de Frank Miller. Só existem 20 desses no mundo, e só por isso já é legal ter um. O melhor é que, ao contrário da maioria dessas promoções legais que se vê por aí, você não precisa morar nos EUA pra participar. É só postar um comentário no post da promoção dizendo qual foi a cena do filme que mais te agradou, e depois torcer pra ser escolhido entre os milhares de participantes. É claro que não faz diferença se você assistiu o longa, viu a HQ ou nenhum dos dois: copie um trecho do trailer, como “then we will fight in the shade”, “ready your breakfast and eat hearty, for tonight we dine in hell!” ou “madness? This is Spartaaaa” e cole lá. É importante lembrar que só pode ter um comentário por IP, então se você fizer Ciência da Computação na UFSM por favor não comente aqui do laboratório.

Corre lá que é só até o dia 12. Lembrando que se você ganhar eu tenho o direito de passar um dia inteiro na sua casa jogando alguma coisa ou só brincando com o controle delícia. Se eu ganhar compro Prince of Persia: The Sands of Time original, só de felicidade, e sorteio entre o pessoal que lê o No Controle. E que comenta, porque eu não tenho como adivinhar quem lê e quem só entra procurando “carmen electra nua fotos”.


Profecia azul, assassinato e mais um título infeliz

5 agosto 2007

Pois é, foram umas férias de blog durante as quais muita coisa aconteceu. O feedback do último post foi porco, cansei de escrever, larguei uma matéria na faculdade, decidi largar Computação de vez, percebi que eu tava levando jogos muito a sério e que na verdade eu não queria zerar Ocarina of Time e Fallout, assisti uns filmes cult, viciei em CS, varri meu quarto, fiquei de novo com vontade de zerar Ocarina of Time e Fallout, e finalmente voltou o gosto por escrever. Então hoje volto à ativa com outro desses títulos retardados que precedem um Primeiro Contato. Pelo menos o jogo é bom.

Indigo Prophecy (PC, PS2, Xbox)

Sabe aqueles jogos pouco conhecidos, mas que mereciam mais atenção do que muita coisa que faz sucesso por aí? Indigo Prophecy é um desses. Um “adventure dos novos tempos”, Fahrenheit, como é conhecido o jogo originalmente, mistura uma história intrigante com uma ótima mecânica e muitas inovações para o gênero que já era considerado morto.

Evoluindo dos aponte-e-clique tradicionais, aqui temos um sistema de vida parecido com The Sims que faz com que o jogo não seja apenas um aglomerado de puzzles envolvendo diversos objetos e lugares. Os personagens têm um medidor de satisfação que sobe ou desce de acordo com o que eles fazem ou o que acontece com eles. Usar o banheiro, por exemplo, não se resume a uma piadinha sobre a massa disforme que paira na privada: seu personagem manda um xixizão e sai com +5 pontos de alegria. O contrário também acontece quando você dá um fora numa conversa, não encontra alguma coisa ou toma um daqueles sustos de arrepiar os cabelos. -5, -10, -20, varia de acordo com o estresse causado. Se deixar esse nível chegar a zero o personagem se suicida. Simples assim.

A história começa com Lucas Kane, um novaiorquino aleatório, matando um cara no banheiro de uma lanchonete. Ele não sabe por que fez isso, mas fez. De quebra riscou à faca uns negócios estranhos no braço. Agora Lucas tem que descobrir o que está acontecendo com ele, entre aparições de uma menininha maligna e visões de um ritual diabólico.

Mas a história também começa com Carla Valenti e Tyler Miles, a detetive CDF e seu parceiro largadão, investigando o assassinato alguns minutos depois. Entre os problemas pessoais do cara e a intuição feminina da moça, eles também precisam descobrir que raio de assassinato estranho e sem motivo foi aquele.

E você joga com os três, seguindo o dia-a-dia deles como faria uma pessoa normal. Tudo tentando manter o nível de satisfação lá em cima, sendo que “lá em cima” é Neutro, já que nem um assassino confuso nem policiais desesperados podem chegar a ficar radiantes de felicidade. E esse toque The Sims contribui de monte para a imersão nos desafios de Indigo Prophecy, já que não é só sair correndo e checando cada caixa e canto em busca de itens. Você precisa seguir a linha da história e se manter vivo. Experimente engolir uns remédios e logo depois beber um copinho de uísque pra ver.

A jogabilidade em si é bastante interessante: com o teclado você movimenta o personagem, e com o mouse mexe a câmera ou interage com os objetos. Para abrir a gaveta de baixo clique com o botão esquerdo e puxe o mouse para trás, para abrir a gaveta de cima clique e empurre o mouse para frente, por aí vai. Frescura, mas diferente. Serve também pros momentos de desespero, como quando um policial tá batendo à porta do apartamento de Lucas e você ainda precisa fazer movimentos certos com o mouse pra poder agir a tempo. O mesmo acontece nos diálogos, já que você tem um tempo muito curto para responder entre as opções mostradas. Aqui entra um ponto fraco do jogo: precisa entender bem inglês pra escutar um policial dizer “O que são esses cortes no seu braço?” e responder “Ah, quebrei um copo e me cortei” a tempo.

Mas o que mais contribui para o estilo cinematográfico de Indigo Prophecy são as seqüências Genius, ou Simon Says. Seja tocando guitarra, jogando basquete, tentando lembrar do que aconteceu na noite do crime ou fazendo sésso com a ex (só se você tiver a versão européia, Fahrenheit, porque americano não pode ver essas coisas feias), você será confrontado com uma série de teclas para apertar no estilo do saudoso joguinho, mas que exige mais reflexos do que memória. As músicas que acompanham esses momentos mais emocionantes também são ótimas.

Sendo um adventure diferente e exigindo mais dos reflexos do que da cabeça, mas ainda assim mantendo a qualidade dos clássicos, Indigo Prophecy vale o investimento. Joguei o suficiente pra atestar sua qualidade, e pretendo zerá-lo nas férias. Dizem as más línguas que o final é uma merda, mas vai saber. Ruim mesmo é olhar pra cada espelho com apreensão depois dos primeiros cagaços.