Coelhos alienígenas em um cenário pós-nuclear

Finalmente acabaram as provas do bimestre, aquela depressão de quando se estuda em excesso passou e de vez em quando um ou outro tempo livre passa correndo e se eu for sagaz o suficiente, consigo pegá-lo e fazer alguma coisa que preste com ele. Caso contrário, eu acabo ficando no MSN até o tempo livre sumir de vista e depois digo que não tenho tempo pra nada.

É claro que “coisa que preste” deveria incluir “escrever no No Controle”, mesmo que eu odeie falar “no no” e prefira “escrever no NC”. Só que com o punhado de jogos que chegaram às minhas mãos atualmente, não tá rolando fazer umas resenhas ou dar uma papeada gamer. Então vou aproveitar que ainda não zerei nenhum da lista, deixando aqui minhas primeiras impressões sobre dois.

Rayman Raving Rabbids (Wii, PS2, Xbox 360, PC)

Pra começar, quero deixar claro que joguei a versão de PC, e que o jogo foi claramente projetado pra ser jogado em um Nintendo Wii. Além disso, ele foi claramente projetado para causar agonia aos donos de um PS2 ou 360, ou ao menos foi o que eu li por aí.

Ao contrário dos outros Rayman, que eram jogos de plataforma, Raving Rabbids traz o herói sem braços nem pernas numa trama sem pé nem cabeça que serve de fundo para um jogo com um punhado de minigames. O que você precisa saber é que uma raça de coelhos alienígenas, os rabbids, raptou nosso herói sem braços nem pernas, e agora ele precisa vencer diariamente uma arena de minigames de modo a ganhar desentupidores de pia suficientes pra ele escapar pela janela.

Conclui-se pela maravilhosa história que tudo gira em volta dos joguinhos. O que num Wii resume-se em tudo girar em torno do Wiimote, e nas outras plataformas resume-se em tudo girar em torno da sua vontade de ter um Wii. Mas até que Raving Rabbids não faz feio no PC. Os minigames às vezes ficam bem simples com um mouse e um teclado, e a tela de instruções se faz de boba dizendo “hehe, a parte legal de jogar no computador é que seu amigo aperta o espaço enquanto você mexe o mouse \o/”

Vale a pena pelos coelhos. Desde um jogo onde você precisa manter as portas das privadas fechadas enquanto os bichos tentam sair e te atirar desentupidores, até o minigame de dança à “Guitar Hero encontra Dance Dance Revolution com uma dificuldade que vai agradar seu sobrinho”, passando pelo fantástico Bunny Hunt (clone de Time Crisis que por si só poderia render um bom jogo, com os devidos retoques e adições), os rabbids são sempre hilários. Eles e seus gritos de fúria.

Tem também um tal de Family Mode e um outro modo só pra bater recordes, mas não cheguei a explorar nenhum. E no pouco que joguei deu pra ver um ou dois bugs bizarros também, como uma fase que não me dá 40000 pontos quando era pra dar, fazendo assim com que eu nunca possa completar as tarefas daquele dia. Mas, como eu disse, é engraçado pelos coelhos, seus vídeos e a admiração que eles começam a nutrir por Rayman conforme esse vai se mostrando um minigamer nato.

Mas se você tiver um Wii, cuspa na cara da versão de PC e vá lá brincar com seus controles. Ou então espere por Rayman Raving Rabbids 2, que já deve estar pra sair.

Fallout 2 (PC)

Falaram tanto desse aqui que eu botei na minha cabeça que ia conseguir o jogo. Em uma bela manhã, acordei e lembrei que tinha visto há um ano uma revista com o CD, em uma banca do centro. Depois do almoço fui pra tal banca. E eis que estava lá estampado na prateleira das Fullgames e afins: “15,90”. Eu tinha 11 reais no bolso, exatamente. Teria que comprar só no outro dia, já que eu tava atrasado pra aula e não tinha nenhum banco por perto. Vi minha querida CD Expert com Fallout 2, com uma inscrição chamativa na capa: “Mais barato…”, sorri, “… apenas 12,90”. Baixei a cabeça novamente. Ia colocar o jogo de volta no lugar quando percebi uma etiqueta no canto da capa: “5,90”. Perguntei pra atendente se era aquele mesmo o preço e sim, era. Ela não diria que não, depois de ver aquela cara de criança feliz levando um LEGO de 300 reais pra casa.

Depois da aula, levei meu jogo original e novinho de 6 reais pra casa e coloquei no computador. Pra começar, tem uma tela de instalação engraçada: a small installation ocupa 1.1MB, aí tem a medium, a large e a HUMONGOUS INSTALLATION, em maiúsculas mesmo, que ocupa cerca de 700MB, um gasto de memória incrivelmente grande em 1998. Após a instalação e um bom patch desoficial pra corrigir os inúmeros erros de Fallout (é daqueles jogos que foram pouco testados), eu estava pronto pra começar meu RPG pós-nuclear.

No primeiro Fallout você era um cara que tinha que ir buscar água pro seu povo, e tinha um tempo limite pra fazer isso. Depois disso ainda tinha que detonar uma ameaça mutante ou algo assim. Não vou contar o fim porque talvez vocês queiram jogar, mas o que importa é que Fallout 2 acontece 80 anos depois, com um descendente do primeiro protagonista. Você vive em uma aldeiazinha com sua tribo, um monte de pelados que não aparentam nem um pouco estar em um cenário futurista, e é O Escolhido pra encontrar o Garden of Eden Creation Kit, um pacote que promete transformar tudo em verde de novo. Lembrem de ver o filme de início, pelo amor de Deus.

Mas nem tudo é tão fácil. Primeiro tem que passar por um templo doido cheio de armadilhas, aranhas gigantes e escorpiões do mal. E você tem uma lança. Chega a ser estranho abrir um baú e ver um explosivo high-tech, pra só depois lembrar que você tá em 2241. Mas é só sair do templo que as semelhanças com Diablo acabam: Fallout parece ser um role-playing game no sentido “de mesa” da palavra. Não é só sobre jogar dados e acertar ataques, e sim sobre interpretar personagens. Então eu vou lá, com meu carinha de carisma 9 e força meio baixa, e descubro que eu tenho que lutar contra um companheiro da tribo pra acabar os desafios do templo. Dá pra brigar, mas com um bom papo você convence o cara que alguém poderia sair morto, e seria ou ele ou O Escolhido, o que de qualquer modo seria ruim pra ele. E isso é só o começo da série “como todos os RPGs deveriam aproveitar os pontos que você investe em Carisma e Inteligência”.

Basta sair da tribo e ir pra cidade mais próxima pra perceber que a parada é bem estilo Mad Max. Gangues, tribos, carros, tudo num desespero por água/gasolina num cenário desértico destruído pela guerra. Só joguei até aí, salvei e ataquei um guri na rua. Todos vieram ver e botar lenha, cada um a seu turno, como na batalha normal, e no fim eu morri pra uma mulher que deveria ser a mãe da criança. Pelas fotos que eu vi tem bem mais cidades, um mapa grande, um carro legal pro protagonista, casamentos, companheiros cyberpunk, prostitutas, jogos de azar e um monte de referências à cultura pop.

Parece ser legal mesmo. Se você achar por 5,90 encalhado em alguma prateleira da banca da sua cidade, compre sem pensar duas vezes. Além das dúzias de quests e da história bem diferente que já deve levar um bom tempo, ainda tem as muitas e muitas possibilidades de personalização de personagem, em um jogo onde isso faz diferença sim, e não apenas define que armas você pode carregar.

24 respostas para Coelhos alienígenas em um cenário pós-nuclear

  1. feroz disse:

    “Raving Rabbids traz o herói sem braços nem pernas numa trama sem pé nem cabeça”

    x.x

    Tô até me sentindo parte desse blog por escolher a direção de 50% desse post, haha

  2. Lipedal disse:

    Agradeçam ao feroz pelo Primeiro Contato de Fallout. Indigo Prophecy ficou pra próxima, junto com Simpsons Hit & Run ou Half-Life 2. Aproveitem e escolham.

  3. Nightshadew disse:

    Eu tenho um Wii, e tenho Rayman. Realmente a graça toda da coisa é o controle, mas eu senti falta de jogar contra adversários do computador estilo Mario Party.

    Depois dá uma 2º impressão rápida de Fallout, sempre quis conferir mas bate aquela preguiça de sempre.

  4. Nossa, ÓTIMA analise do Fall Out 2! Eu diria que você conseguiu uma bela bagartela! haha Jogos clássicos baratos é bem legal!

    E o rayman que não seja de wii, realmente é fraco. A live vision (camera do 360) até é bacana, mas só engana…

    Abraços!

  5. Lipedal disse:

    Reclamaram no MSN que transmiti a impressão de estar rebaixando o jogo, então eu meio que prometo resenhar direito esse negócio se continuar jogando e for longe😀

    Não sabia dessa de Live Vision, Lucas. Foram incluídos minigames novos usando a câmera?

  6. Knall Dreheit disse:

    Ainda prefiro Wario Ware Smooth Moves…

  7. Knall Dreheit disse:

    Porra, odeio quando eu faço o último comentário e ninguém fala nada. Parece que olharam friamente pra sua cara e saíram andando em silêncio.

  8. Knall Dreheit disse:

    Com isso, eu quis dizer que continuem comentando.

  9. Knall Dreheit disse:

    duh.

  10. Lipedal disse:

    *olha friamente pra cara do Gabriel e sai andando em silêncio*

  11. Knall Dreheit disse:

    Não vou nem escrever nada para não ficar com o último comment de novo…

  12. Knall Dreheit disse:

    Droga!

  13. Gui Stadler disse:

    TIPO EU ACHAVA QUE FALLOUT ERA JOGO DE CORRIDA RS
    Mas tem um com nome parecido que é de corrida…:(

  14. Lipedal disse:

    Flat Out. Aquele com pilotos-bonecas-de-pano e minigames de arremessar o cara pela janela do carro. Divertidaço.

  15. Vinicius disse:

    Felipe, não esquece do Flat Out, digo, Fallout 2…

  16. Vaiolênce disse:

    Muito boa a resenha do Fallout, até deu vontade de jogar parabens!

  17. Lipedal disse:

    Opa, valeu! Jogue mesmo, vale a pena😀

  18. Guelerme disse:

    Fallout e Planescape são dois jogos que seguem mais ou menos a mesma vertente, e tal, recomendo fortemente o segundo e UMA ATUALIZAÇÃO.

    Agradecido. ^^

  19. Chucrutes disse:

    Ta na hora de rolar uma atualizaçãozinha, hem? :doido:

  20. Vinicius disse:

    O Felipe mata aula e não atualiza o blog, que vagabundagem…

  21. ryunoken disse:

    eM bRASÍLIA NÃO TEM DESSAS BANCAS MILAGROSAS DE sÃO pAULO…

  22. Lipedal disse:

    Sai dessa, maluco. Eu moro em Santa Maria, interior do RS, nunca vi um videogame da geração atual na vida e aqui tá cheio das “bancas milagrosas”. É só fuçar. Uma dica: banca de rodoviária geralmente tem essas revistas de jogos encalhadas😛

  23. ryunoken disse:

    Hehehhe, acredite, Lipedal, você esta falando com um fuçador de bancas pró, já achei a coleção de Mai – A garota Sensitiva (edição antiga) por R$ 20,00, achei um Guia Games e até jogo de XBOX em banca… mas Fallout eu procuro a anos e ainda não achei. Nem ele nem Arcanum (mesma linha, steampunk). Mas não desisto, apesar da fase ruim (as bancas agora não querem mais saber de encalhe, só do que é novo) continuo um fuça-bancas dedicado.
    Abraço.

  24. Johnny Bright disse:

    Cara, eu comprei Fallout 2 do mesmo jeito, sem saber o que era e também pirei. Sua descrição tá ótima.

    Gostei tanto do 2 que procurei o Fallout 1 e acabei conseguindo baixar o CD de instalação pelo eMule (a muito custo). Agora to pirado no meio do jogo, são tantos detalhes, a história é tão legal, e fiquei sabendo que está previsto para outubro do ano que vem (2008) o lançamento de fallout 3, pra PC, Xbox e não sei mais o quê.

    Mas o legal de Fallout, mesmo, são as imagens, tudo se passa num futuro que parece 1950, Guerra Fria, a introdução é o máximo, o jogo tem humor, enfim, eu recomeiiindo. Os dois são ótimos, qdo eu conseguir terminar Fallout 1 vou direto para o 2.

    Atenção, você tem que entender o ‘espírito’ do jogo, essa coisa Steam Punk (computadores a vapor, naves espaciais a diesel), mas depois que o bicho te pega… Valeu, bom saber que tem mais fãs do Fallout no Brasil.

    PIP Boy pra presidente!! (vc tem que jogar pra saber quem é o cara…)

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