Alan acorda no jardim do diabo

Li em uma das últimas EGMs sobre Alan Wake, jogo da Microsoft a ser lançado para Vista e 360 onde você é um maluco que escreve livros baseados em sonhos doidos e de repente começa a vivenciar as situações dos tais livros.

Minha primeira impressão ao ver o título foi a inevitável comparação entre os nomes Alan Wake e Max Payne. É, admita. É tipo Harry Potter e Artemis Fowl ou esses genéricos. Não dá pra não dizer que um não se inspirou safadamente no outro. Mas daí eu vi que a produtora dos jogos era a mesma, e que pelo jeito eles tinham tanta criatividade quanto eu pra criar títulos.

“Mas”, pensou o ingênuo Felipe, “ao menos a idéia do jogo é super original”. Ledo engano, criança. Ainda essa semana estava a revistar uma livraria por aí, em busca de algo de Luís Fernando Veríssimo pra dar de aniversário pra namorada, quando vi o livro “O Jardim do Diabo”, ficção dele escrita em 1988.

Sinopse de contracapa:

Uma mulher é encontrada esfaqueada em seu quarto – na parede, escritas com sangue da vítima, palavras em grego. É isso que o inspetor Macieira conta a Estevão, um escritor de histórias policiais, sempre assinadas com um pseudônimo americano. O inspetor Macieira vai atrás de Estevão por um detalhe – a cena do crime é exatamente igual à descrita por ele em seu último romance. O assassinato, no entanto, ocorreu antes de o livro ser lançado. A partir dessa visita, os dias monótonos de Estevão começam a ser invadidos por seus personagens. Vida e ficção passam então a disputar um jogo fascinante de que o leitor é a grande testemunha. Com seu provebial humor, Verissimo nos envolve numa divertida trama, cheia de referências policiais e recursos de metalinguagem.

Como eu tava procurando uma aventura de fácil leitura pra divertir a Bibi entre uma e outra prova da faculdade, nada melhor que uma ficção do Veríssimo. Comprei e dei pra ela. Aí depois em casa eu tava pensando no que postar aqui e lembrei de Alan Wake com sua história originalíssima sobre o cara escrevendo e vivendo os fatos, e então percebi que os conceitos de criatividade andam meio falhos.

Eu tinha escrito pelo menos uns quatro parágrafos depois disso, mas o post tava ficando uma merda e eu não consegui entender o que me fez escrevê-lo, mas agora conversando com o Gui percebi o que eu não tinha notado antes:

Americano não sabe fazer história. E tenho dito. Tá certo que é uma da madruga e minha memória pode estar falhando, mas no momento não consigo lembrar de algum jogo americano com história boazuda.

Os japoneses Dragon Quest, Final Fantasy, Tales of, Baten Kaitos e afins têm histórias fodásticas com intrigas, impérios a destruir, mundos a salvar e tal.
Em Fable uns marginais mataram tua família. Aí tu tem que… bem… tu tem que se vingar ou não, dependendo de como tu quer seguir com a história. O jogo é simplesmente fantástico em sua concepção, mas o enredo não é nada a se idolatrar.

Nos japoneses Mortal Kombat, Tekken e Soul Calibur, há historinhas de fundo pra disfarçar a pancadaria toda. Em alguns a história é melhorzinha, em outros pior. Em um os caras tão fazendo um torneio milenar e neguim vira zumbi de uma versão pra outra, em outro os caras tão em busca de uma espada milenar e neguim vira zumbi de uma versão pra outra, por aí vai.
Em Def Jam os produtores telefonaram pra cada um dos rappers participantes do jogo perguntando “tu quer ser do mau ou do bem, yo?”, aí dividiram em duas gangues e eles têm que se quebrar lutando por território. Esse foi o exemplo de história boa. Aí tem os WWE SmackDown vs Raw 2007 da vida.

Nos japoneses Shadow of the Colossus, Ico e Zelda: roteiros épicos, sobre meninos com chifres ou orelhas pontudas, de chorar no fim ou não.
Em Tomb Raider você tem que ir lá pro mato, detonar uns bichinhos ou bigodudos e pegar O Artefato. Não sei qual artefato, mas você sempre precisa d’O Artefato.

Não citarei aqui os games do estilo survival horror, porque seria sacanagem com os americanos. De acordo com pesquisas recentes na Wikipedia, Alone in the Dark é francês (confere?), então nem sei se tem survival horror americano. Alan Wake, o “Psychological Action Thriller“? Isso é Silent Hill, Microsoft boiola. Quanto à história, fiquemos com Veríssimo.

Espera, Alone in the Dark é considerado survival horror?

Vou citar os jogos de ação. Não sei se existe FPS ou similar japonês, mas a história dos madeinusa se divide em duas vertentes da velha xenofobia desesperada americana: “Ahmodeuzo, ALIENS!” e “Ahmodeuzo, LATINOS/ÁRABES/JAPONESES/ALEMÃES!“. Eles surgiram de um portal pro inferno, eles vão dominar a Terra, não importa. Gotta catch ‘em all.

Ah sim, eu tinha esquecido dos adventures. Adventure é algo lindo de Deus. Os comedores de hambúrguer podiam muito bem ter surgido de um planeta distante, deixado a LucasArts aqui e voltado. Não sei o que seria de mim sem The Dig, Full Throttle, The Curse of Monkey Island e Grim Fandango. Apesar de que esse estilo não é monopólio deles. Já ouviram falar de Midnight Nowhere, adventure russo? Arranjem-no, é muito bom. Posso falar em algum post mais adiante, se interessar.

Enquanto escrevia esse texto lembrei de Prince of Persia: The Sands of Time e Beyond Good & Evil. Ótimos jogos, muito ótimos, extremamente ótimos. Quase chorei no fim de BG&E e, na penúltima CG do PoP, naquela parte em que tu entende tudo, todos os pêlos do meu corpo se arrepiaram e começaram a sambar individualmente, enquanto eu ficava vermelho e fazia “ihnn, ihnn” como uma cadelinha no cio. Já ia apagar toda a parte falando que americanos não sabem contar histórias, quando lembrei que a Ubisoft é francesa e, mesmo que não fosse, 102% dos nomes nos créditos de ambos os jogos eram franceses. Serviço de utilidade pública: quando jogarem BG&E vejam os créditos até o final.

Conforme eu lembrar de exemplos, vou adicionando aqui. Façam o mesmo nos comentários, seja pra pôr por água abaixo minha tese ou pra reforçá-la.

Ah, quanto à rixa FIFA vs Winning Eleven, não joguei WE. Mas se tiver história, os amarelos são mais doentes do que eu imaginava.

Update: Atolei o post de links pra Wikipedia, para os leitores que não têm mais o que fazer e que querem conhecer mais sobre as séries citadas no texto. Se alguém não gostar, comente. Dá uma trabalheira dos infernos, quanto menos gente gostar melhor pra mim.

13 respostas para Alan acorda no jardim do diabo

  1. Bicho do Mato disse:

    Ótimo post.
    Tinha pensado em escrever mais coisas em relação a Crackdow mas não sei quem são os criadores, se bem que pelos review’s e comemtários parece muito com emlatados americanos.

  2. Lipedal disse:

    Hahhaha, boa. Crackdown parece ser um belo exemplo da xenofobia desesperada. Ação incessante em busca de paz para a América, que está sendo perturbada por latinos agitadores maus, russos anarquistas maus ou asiáticos revoltados maus…

    A desenvolvedora é finlandesa ou algo assim, mas quem encomendou o bicho foi a Microsoft.

  3. Duriel/Quoteriel disse:

    Pedal çadaputa sempre me fazendo rir.
    E agora que você falou…é bem verdade mesmo.
    Nunca tinha prestado atenção, mas a história de games americanos é sempre lixo😦

  4. katsutoshi disse:

    No caso de Crackdown, eu acho que só tem o sucesso atual por causa do seu convite pro Beta de Halo 3, não que o jogo seja ruim graficamente (pelas fotos da pra ver que é bomzim) nem em jogabilidade, mas já sabemos que é conhecido por esse fator. Falar em Halo…alguem sabe a história deste? eu nunca joguei porque nunca me interessei por ele😛
    Já voltando pro assunto original, realmente falta enredo pra historia de jogos americanos, mas no jeito que anda… daqui uns meses sai um que é baseado na guerra do iraque.

  5. Gui Stadler disse:

    A história de Halo é sobre…hmmm…Aliens.🙂

  6. Lipedal disse:

    Katsutoshi, Battlefield 2 não é sobre guerra contra a “Coalizão do Oriente Médio” ou coisa assim? Tem também America’s Army, que se não me engano tem coisa a ver com o Iraque. Mesmo que não tenha, olha aqui a comparação entre o jogador do bem e o inimigo mau.

    Sem contar Mercenaries 2: World in Flames, a ser lançado pra PS3. Nesse você é contratado pra ir pra Venezuela detonar “Tirano Chávez” e PROTEGER OS RECURSOS PETROLÍFEROS!

    [oh, aplausos]

    Pretendo abordar esse assunto num post futuro.

  7. katsutoshi disse:

    Nem tinha reparado ainda… é verdade mesmo =P Battlefield 2 tem esses toques…

    Esse Mercenaries 2: World in Flames eu vo querer ver😛
    Até porque eu não terei condiçoes de ter um PS3 nem um XBOX360 , talvez eu tenha um Wii mas ae é sonho meio que distante, porque agora que eu consegui meu GC e PS2😛
    Mas como tava dizendo, essa do “detonar Tirano Chávez” to querendo ver😛

  8. Lipedal disse:

    Katsutoshi, pelo jeito tu achou isso uma coisa boa. Procure por imagens do jogo na internet. Basicamente tu sai com bazucões nas ruas da Venezuela detonando os prédios e matando geral pra “protegê-los do ditador” e “proteger as reservas de petróleo” (do próprio povo venezuelano, donos legítimos dessa porra).

    Posicionamentos políticos à parte, eu não quero nem ver. A engine deve ser tipo GTA, mas enquanto GTA tem uma historinha boba sobre gangues de LA, Mercenaries 2 é mais um infeliz exemplo de até onde os americanos proselitas chegaram pra divulgar as idéias deles😦

    Se isso não é o equivalente contemporâneo aos filmes de propaganda nazista, não sei o que é.

    Bons tempos em que tu era um carinha de macacão que tinha que pular barris pra salvar a princesa😦

  9. Chococat disse:

    Meow meow TKoF. (“Por isso que eu só jogo TKoF.”)

  10. cavernanerd disse:

    Lipedal, valeu por favoritar o CAVERNA NERD o/
    Então, eu visito o HBD/FHBD e tal mas nem participo não, só leio mesmo.
    Aí eu gostei desse blog, e resolvi botar lá no meu heheh…

    Té mais.

  11. Marvbr ( FHBD ) disse:

    tipo na parte de fps você esqueceu “Ameudeuzo , RUSSOS!” e
    Outra coisa , os max paynes tem historias maravilhosas no meu ponto de vista , pra min essas historias japonesas na sua maioria são muito enrolação/viagem.

    Prefiro um linha mais interesante como os max paynes , manhunt , GTA ( que as historias dos jogos anteriores se interligam e tal ) é MUITO interesante oque a rockstar faiz , parece que TODOS os jogos dela passam no mesmo universo , saca?
    as grifes de roupas,marcas de refrigerante e muitas outras coisas são iguais em Manhunt , GTA1 , GTA 2 ,GTA 3 , Vice city , San andreas , dando uma impresão que tudo se passa no mesmo mundo , acho isso muito legal e tal.

  12. Kaos disse:

    Ei, pelamordedeusfaizlogoumreviewdezeldatpseucondenado. Alias gostei do post

  13.  No resulta maal el blog-post aunque le muestra falta de material y
    acreditacion. Sea como sea se trta de un correcto comienzo.
    Un saludo.

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